Esse fim de semana, em nosso bairro, um jovem rapaz, trabalhador, casado... enfim, suicidou-se.
Eu sempre fico chocada quando sei desse tipo de notícia, porque sinceramente isso já passou pela minha cabeça também. E isso não me parece muito coerente. Quando a gente evita uma rua escura tarde da noite, quando andamos atentamente pelo transito, quando saimos de uma festa assim que começa uma briga... todas essas situações são situações em que estamos tentando poupar a nossa própria vida e por que quando estamos insensatamente desesperados pensamos em exterminá-la?
Eu tive vários problemas na infância, eu soube que era adotada, que minha mãe biológica havia sido assassinada, eu fui uma criança extremamente sapeca (aliás, acho que vou fazer um blog para contar isso!), revoltada, agressiva e por isso apanhava bastante, e na adolescência sofri de bulimia, que na verdade perdurou até janeiro de 2010.
Enfim, eu tive muuuitos motivos para querer morrer, eu sofri de amores mal correspondidos ou não correspondidos, eu tinha dúvidas do amor que meus pais sentiam por mim, eu era negra, franzina e do cabelo "pinchain", não tinha o menor amor próprio. Eu achava que tinha todos os motivos do mundo para morrer, e até pensava: Por que minha mãe não me abortou???
Hoje eu sou mãe, e eu penso: eu tinha que sobrviver, eu tinha que fazer Francine nascer! O mundo precisava de uma criança assim, tão doce e especial quanto ela.
E nesse caos em que o mundo está, eu me redescobri, me notei uma pessoa totalmente diferente doque tracei a minha vida inteira e por amor, apenas por amor, como deve ser, eu nasci de novo.

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